Denise Tadei
Aplicativo Travelex Confidence
O Grupo Travelex é uma das maiores referências em operações de câmbio, composto por um banco e uma corretora. Em 2024, a empresa expandiu seu ecossistema digital com o lançamento da Conta Global, um produto estratégico que permite que os clientes carreguem saldos em moedas estrangeiras e realizem compras no exterior utilizando um cartão de débito internacional.
O Desafio (O Problema)
Meses após o lançamento da Conta Global, os dados de monitoramento e o feedback revelaram um atrito na jornada do usuário: o histórico de operações. Essa tela é o principal ponto de contato para o cliente gerenciar e auditar sua vida financeira no aplicativo (visualizando recargas e compras). No entanto, começamos a receber um volume significativo de reclamações sinalizando que a interface não estava cumprindo seu papel principal de informar com clareza.
Discovery e entendimento do problema
Para entender a raiz do problema sem enviesamentos, iniciei um processo de pesquisa qualitativa em colaboração com o time de Atendimento ao Cliente. Essa aproximação direta com a linha de frente nos forneceu insights sobre as dores reais dos clientes. Diagnóstico das dores mapeadas:
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Alta carga cognitiva: as informações na tela estavam confusas, exigindo muito esforço para serem entendidas.
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Quebra de padrões mentais: levava-se muito tempo para o cliente diferenciar uma "recarga" (entrada de dinheiro) de uma "compra" (saída).
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Baixa visibilidade do status do sistema: não era intuitivo identificar quando uma transação havia sido negada ou cancelada.
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Falta de hierarquia visual: a dificuldade generalizada em rastrear o status e os valores das operações tornava a leitura da tela muito difícil.
Análise crítica da interface anterior (o "antes")
Ao analisar a interface original, identifiquei problemas estruturais na arquitetura da informação:
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Uso ineficiente de ícones: o layout dependia de ícones circulares que não comunicavam claramente a natureza da transação (compra vs. recarga).
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Alinhamento e agrupamento: o nome do estabelecimento e os valores estavam competindo visualmente, sem uma clara relação de proximidade com seus respectivos status.
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Falta de feedback semântico: os valores financeiros estavam todos na mesma cor e peso tipográfico (preto), ignorando o modelo mental financeiro universal de entradas e saídas.

A solução UI/UX (o "depois")
Com base no diagnóstico, desenhei uma nova interface focada em usabilidade e clareza. As principais melhorias implementadas foram:
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Aplicação de modelos mentais financeiros: implementamos uma taxonomia de cores estrita para os valores financeiros. As saídas de dinheiro (compras) passaram a ser destacadas em vermelho com o sinal de subtração (-), enquanto as entradas (recargas) ganharam a cor verde com o sinal de adição (+).
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Reestruturação da hierarquia visual e tipografia: o nome do estabelecimento (ou o tipo de operação) foi elevado a elemento principal de leitura.
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Feedback de status imediato: os status das transações ("concluído", "estornado", "recusado") foram padronizados e posicionados imediatamente abaixo do nome da operação, em uma fonte secundária e cor neutra.
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Layout limpo e padronizado: removemos os ícones redundantes que poluíam a margem esquerda. A ausência de elementos visuais desnecessários aumentou a proporção de espaço em branco (white space), dando um respiro à interface. Nos casos de recusa ("recusado") ou estorno ("estornado"), o valor principal recebe um tachado sutil para reforçar que aquele montante não foi debitado do saldo final.


Resultados e Impacto
A validação do redesign foi um sucesso absoluto. Após o rollout da nova interface do histórico de operações, as reclamações nos canais de atendimento ao cliente referentes a esse fluxo cessaram.